Ajuda profissional é necessária quando pais não conseguem mais lidar com filho

Postado em 27/09/2018

Ajuda profissional é necessária quando pais não conseguem mais lidar com filho

Nem sempre o apoio psicológico ou psiquiátrico é a única solução: qualquer profissional da saúde pode orientar os pais

Uma leitora escreveu dizendo-se uma mãe desesperada, que não sabe mais como lidar com a rebeldia do filho de 16 anos de idade. O adolescente não conversa mais com os pais, parou de ir à escola e passa o dia todo na rua, retornando para casa à noite. A mãe contou que tirou o computador e o videogame do quarto dele e não dá mais dinheiro nos finais de semana, mas a situação só tem piorado. Ela reclama que o marido cobra dela uma solução, e questiona: “Será que a culpa é minha e do pai?”

Para o psiquiatra Thiago Fidalgo, especialista do Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo (Proad-Unifesp), em geral, um quadro como esse começou a ser formado lá na infância. Quando as crianças não têm limites muito claros, conhecidos e discutidos, impostos pelo diálogo e não pela força, a adolescência é mais difícil porque os adolescentes colocam-se de maneira vulnerável ao ficarem mais expostos às dinâmicas da vida social.

Quando acordam para o problema, os pais precisam rever posturas e mudar comportamentos, para estimular o filho a fazer o mesmo. “Provavelmente é um problema estrutural da família. O processo não depende só do adolescente”, afirmou.

Segundo o psiquiatra, quando o relacionamento entre pais e filhos chega a um esgotamento – não existe mais respeito, não se consegue mais estabelecer limites e regras e o diálogo foi completamente eliminado – uma ajuda profissional pode colaborar para encontrar uma saída. Mas nem sempre o apoio psicológico ou psiquiátrico é a única solução, qualquer profissional da saúde pode orientar os pais.

A ajuda externa para resgatar a relação também pode vir da escola (por meio de um professor, do diretor, do coordenador pedagógico), de uma entidade religiosa, de um parente. O importante é identificar um adulto que tenha vínculo saudável com o adolescente para intermediar esse resgate. No entanto, se houver o envolvimento com drogas relacionado a essa rebeldia, é necessária uma intervenção profissional.

A coordenadora do Ambulatório de Atendimento ao Adolescente da Universidade Federal de São Paulo, Denise Michelle Avalone, reforça a necessidade de envolvimento da família na busca de uma solução. O pai e a mãe precisam participar. Ela também afirma que algumas delimitações não foram colocadas no tempo certo para chegar a situações de impasse como a descrita pela leitora.

O adolescente precisa ser provocado a projetar o futuro: como ele se vê daqui a três anos? O que ele está fazendo na direção dos projetos que tem na vida? Ele tem projetos? Segundo ela, com 16 anos de idade ainda é possível resgatar alguns valores para estabelecer vínculos do adolescente com a família e com as suas obrigações, mas as dificuldades são ainda maiores quando não foi preservada nem a frequência à escola. E tudo fica mais difícil quando o adolescente não entende o que está acontecendo e não encara o comportamento dele como um problema. “O problema não é ele, são os outros”.

A psiquiatra recomenda que os pais procurem uma orientação profissional para lidar com a situação quando acham que perderam o controle. “Impossível um pai perder completamente o controle. Não exerce influência, mas exerce algum tipo de poder, nem que seja financeiro”. Segundo ela, os serviços de orientação a pais conseguem resultados em tempo menor, mas qualquer ajuda profissional é boa nessas situações.

E a especialista em adolescência adverte: o amor precisa ser colocado sem preconceito. É muito ruim quando as pessoas partem da ideia de que o adolescente é um chato. Ela recomenda que seja desconstruída a imagem do "aborrecente", pois os adolescentes precisam ser compreendidos e aceitos com as características próprias da idade. “A adolescência é uma fase da vida”, diz. Eles exigem atenção diferenciada, tanto quanto os idosos e as crianças.

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